
Recomendações médicas recentes reforçam que a paciente deve conhecer as formas de manejo da dor antes do procedimento; especialista aponta avanço no acolhimento e na informação sobre o método.
Colocar o DIU pode ser uma experiência mais confortável e bem assistida do que muitas mulheres imaginam. Nos últimos anos, o manejo da dor no procedimento ganhou espaço nas principais recomendações médicas, que passaram a reforçar o direito da paciente à informação e a opções de alívio, da conversa prévia às alternativas farmacológicas e não farmacológicas.
Em 2025, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) publicou diretrizes que orientam os profissionais a apresentar todas as opções de manejo da dor, a conversar sobre o que a paciente pode sentir e a decidir em conjunto com ela, em um modelo de decisão compartilhada. Desde 2024, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) já recomendava esse aconselhamento antes da inserção. Mais do que uma mudança técnica, o movimento representa um avanço no acolhimento e na escuta da mulher.
“A dor na colocação do DIU varia de mulher para mulher, e hoje existem mais recursos e mais abertura para cuidar dela. A paciente tem o direito de conhecer as opções de alívio e de participar da decisão, o que torna a experiência mais tranquila e segura”, afirma a médica ginecologista Dra. Larissa Cassiano, da DKT South América.
Entender de onde vem a sensação ajuda a desmistificar o procedimento. Durante a inserção, a mulher pode perceber até três momentos: a estabilização do colo do útero, a medição da profundidade do útero e a colocação do dispositivo. Boa parte do desconforto, quando ocorre, concentra-se na passagem pelo canal do colo, que é naturalmente estreito. É justamente por isso que muitas das opções de alívio agem nesta região.
O leque de recursos é amplo. Entre as alternativas farmacológicas estão os analgésicos e anti-inflamatórios e os anestésicos locais, que podem ser aplicados em creme, gel, spray ou por injeção, no chamado bloqueio paracervical. Entre as abordagens não farmacológicas, ganham espaço a explicação de cada etapa, as técnicas de respiração e um ambiente acolhedor, que ajudam a reduzir a ansiedade, fator que também influencia a percepção da dor. A combinação ideal depende de cada caso e pode ser definida com o profissional antes do dia da colocação.
Esses recursos, somados a uma orientação clara sobre o que esperar do procedimento, da etapa de inserção ao pós, ajudam a mulher a chegar mais segura à consulta e a tomar uma decisão informada.
Para os especialistas, a informação é parte do cuidado. Saber o que perguntar, quais opções existem e o que é esperado em cada etapa muda a forma como a mulher vive o procedimento. Estudos recentes, no Brasil e no exterior, reforçaram a importância de acolher e cuidar da dor, em linha com essa abordagem mais centrada na paciente.
“Quando a mulher chega informada e sabe que pode contar com opções de alívio, o medo diminui e a experiência melhora. Informação e acolhimento fazem parte de um bom atendimento”, completa Cassiano.
Ampliar a informação e o cuidado com a dor, avaliam os especialistas, é um caminho para que mais mulheres conheçam e considerem o DIU, um método contraceptivo seguro, eficaz e de longa duração.

DKT Salú
Equipe editorial DKT Salú




