
A adenomiose uterina é uma condição ginecológica que ocorre quando o tecido menstrual, conhecido como endométrio, infiltra-se de forma anormal na parede muscular do útero. Essa alteração pode acometer até 60% das mulheres em todo o mundo, sendo uma causa frequente de dor pélvica e alterações menstruais.
Durante muito tempo, a adenomiose foi considerada um tipo de endometriose do corpo do útero. No entanto, estudos mais recentes demonstram que, apesar de relacionadas, adenomiose e endometriose são doenças distintas, com manifestações e tratamentos diferentes.
O que é adenomiose?
A adenomiose uterina caracteriza-se pela presença do endométrio dentro do miométrio (camada muscular do útero). Essa condição pode provocar:
- Fluxo menstrual intenso
- Cólicas menstruais severas
- Aumento do volume uterino
- Ciclos menstruais irregulares
- Dor pélvica crônica
Esses sintomas impactam significativamente a qualidade de vida da mulher, tornando o diagnóstico e o tratamento adequados essenciais.
Adenomiose e endometriose: qual a diferença?
Embora frequentemente confundidas, adenomiose e endometriose apresentam diferenças importantes:
| Característica | Adenomiose | Endometriose |
|---|---|---|
| Localização | Dentro da parede do útero | Fora do útero |
| Principais sintomas | Fluxo menstrual intenso e dor | Dor pélvica e infertilidade |
| Alteração uterina | Aumento do útero | Geralmente ausente |
| Tratamento | Clínico ou cirúrgico | Clínico ou cirúrgico |
A endometriose ocorre quando fragmentos do endométrio migram para fora do útero, afetando órgãos como ovários, trompas e intestino. Já a adenomiose é uma doença essencialmente uterina.
É importante destacar que cerca de 50% a 70% das mulheres com endometriose também apresentam adenomiose. Assim, tratar apenas uma das condições pode não ser suficiente para aliviar os sintomas.
Como é feito o diagnóstico da adenomiose?
O diagnóstico da adenomiose uterina pode ser realizado por meio de exames de imagem, principalmente:
- Ressonância magnética
- Ultrassom transvaginal com preparo intestinal
Esses exames conseguem identificar aproximadamente 70% dos casos. No entanto, o uso de terapias hormonais pode mascarar os achados, dificultando a confirmação diagnóstica.
Tratamentos para adenomiose
Tratamento cirúrgico: a histerectomia é a única solução?
O tratamento cirúrgico definitivo para a adenomiose é, na maioria dos casos, a histerectomia (retirada do útero). Esse procedimento é indicado principalmente para mulheres que:
- Não desejam mais engravidar
- Apresentam sintomas intensos
- Não obtiveram melhora com o tratamento clínico
Entretanto, a decisão deve ser cuidadosamente avaliada e individualizada, considerando os desejos reprodutivos e a qualidade de vida da paciente.
Além disso, é essencial que mulheres diagnosticadas com adenomiose sejam mapeadas para endometriose, garantindo um tratamento mais completo e eficaz.
Abordagem integrativa no tratamento da adenomiose
atamentos complementares podem auxiliar no controle dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida. Entre eles, destacam-se:
- Acupuntura
- Alimentação anti-inflamatória
- Atividade física moderada
- Melhora da qualidade do sono
- Redução do estresse
- Psicoterapia
A Medicina Integrativa desempenha um papel fundamental ao considerar fatores do estilo de vida que podem contribuir para o desenvolvimento e agravamento da doença, promovendo uma abordagem mais ampla e humanizada do cuidado.
A adenomiose uterina é uma condição comum e frequentemente associada à endometriose, exigindo diagnóstico preciso e tratamento individualizado. Embora a histerectomia seja considerada o tratamento definitivo, existem diversas abordagens terapêuticas capazes de controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Com acompanhamento médico especializado e uma abordagem integrativa, é possível alcançar resultados significativos e promover o bem-estar das mulheres afetadas.

Dra. Lidia H J Myung
Ginecologista e Obstetra | CRM 119213-SP





